terça-feira, 21 de setembro de 2010

Eu sei, e não devia

Eu sei que a gente se acostuma no trabalho, e não devia.

A gente se acostuma com a falta de compromisso, o não cumprimento do horário e da assiduidade. Isso, em virtude de não haver cobrança rígida pela chefia imediata, como acontece nas iniciativas privadas.

A gente se acostuma com a falta de incentivo por parte do poder público, de uma política que visa reconhecer o bom desempenho do servidor, levando-o ao desânimo e a apatia.

A gente se acostuma com a competição entre os colegas, com a falta de amizade, a falta de solidariedade, de integração e companheirismo para desenvolver um trabalho em equipe.

A gente se acostuma em conviver com os hábitos pessoais de cada um, com a forma de tratamento entre os colegas, que nem sempre é respeitosa.

A gente se acostuma com a burocracia e com a falta de uma política igual para todos os servidores.

A gente se acostuma com a falta de interesse de alguns colegas, que se limitam a desenvolver determinadas atividades e não aceitam novas tarefas e desafios.

A gente se acostuma a marcar nossos compromissos pessoais para serem resolvidos no horário de trabalho, achando que é natural.

Eu sei que existem esse vícios no serviço público; porém, devíamos contribuir mais com a nossa parte boa.
 
Anay Borges de Souza et al - FF/UFG

O santo dos subúrbios

A história de Tomás, um adolescente que morava nos subúrbios, começa no dia que ele tem uma discussão horrível com sua mãe. O tópico era o divórcio, que já completava 2 anos, e como ela havia se entregado ao álcool. Durante a briga, ele percebeu a quantidade de sonhos e ilusões que as pessoas, a mídia, o mundo implantaram em sua alma. Sonhos de família estável, dinheiro, fama e estabilidade. Sonhos para uma ou duas pessoas que conseguissem. Ilusões para um milhão de pessoas que não conseguissem.

Nesse dia Tomás fugiu de casa. Decidiu começar uma revolução. Queria mostrar ao mundo todas as mentiras, que sonhos vazios da mídia não passavam de ilusões. O garoto perdeu as esperanças e ganhou força através do ódio de se sentir enganado a vida toda. Entrou em uma gangue, e ficou conhecido como Tomé, aquele que não acreditava em mais nada – só vendo mesmo. Ele se via como um santo, que escrevia suas profecias nos muros da cidade com sua lata de spray e chutava as placas de propaganda eleitoral com seu tênis All-Star.

Nessa gangue conheceu uma garota. Famosa por sua rebeldia e por fazer justiça. Logo ele se apaixona por aquela que era a garota-problema, assim como ele era o garoto-problema. Nem mesmo sabia o nome dela, mas já sentia que era ela a pessoa certa. Tentando ganhar a atenção dela, ele se prontifica a participar de um ataque terrorista que ela planejou, de incendiar a mansão de um milionário famoso na cidade.

No momento de começar o incêndio, a consciência de Tomás aflora em Tomé. Ele se pergunta aonde tudo aquilo iria levar. As mentiras parariam depois disso? As pessoas seriam mais felizes? Afinal, essa era sua missão: levar a verdade ao mundo, e não causar a destruição. Mas por outro lado, sua paixão também gritava em seu peito. Se ele não acendesse aquele pavio, jamais conseguiria a atenção da garota dos seus sonhos.

Tomás falou mais alto e, conforme tinha previsto, perdeu sua chance com a garota rebelde. Ficou marcado como “garotinho rico”, que jamais entenderia a realidade das ruas. Deprimido, suas pregações começaram a ter um caráter mais niilista. Dizia a todos que estavam perdidos, que não havia Deus nenhum que viria nos salvar. E que, por isso, se nós não começássemos a nos mover, nada iria mudar.

Uma batalha entre Tomás e Tomé era travada na mente do garoto. Ser o garoto pacato que todos amam e ignoram, ou ser o punk que faz tudo o que deseja e é odiado? Sem perceber mudanças reais no mundo, ele decidiu que Tomé deveria morrer. Voltou para casa, como Tomás, e foi recebido de braços abertos por sua mãe. Decidiu lidar primeiro com os problemas em sua casa, que talvez assim conseguisse realmente mudar alguma coisa no mundo algum dia.

Hoje, Tomás trabalha numa empresa de fotocópias no centro da cidade. Sustenta a casa, enquanto sua mãe participa de reuniões dos Alcoólatras Anônimos. E sempre, antes de dormir, lembra-se daquela garota que queria mudar o mundo, assim como ele. Será que um dia ela vai conseguir fazer as pessoas verem a verdade?

Essa é a história de Tomás, que não se arrepende de não ter incendiado a casa do milionário. Não se arrepende de ter fugido de casa. Arrepende-se mesmo é de nunca ter perguntado o nome daquela garota, que até hoje não saiu de sua cabeça.

Gustavo Souto de Sá e Souza – EEEC/UFG

Uma grande estreia

Em um dia quente e tranquilo, um jovem palhaço recém-casado estava sentado num sofá, bebericando wisky gelado, o seu passatempo preferido, e aguardando o momento heroico de sua grande estreia.

Enquanto pensava sobre a vida, o casamento, as responsabilidades de sua profissão, as obrigações, seus deveres, sua mulher chegou de mansinho e lançou-lhe um olhar meigo, doce e disse:

- Você tem ideia de como será sua apresentação diante da plateia? Ele lhe respondeu que, apesar de estar um pouco paranoico e que só de lembrar do show, sentia um friozinho na barriga que lhe dava mal-estar, enjoo. O jovem palhaço levantou-se do sofá e acrescentou:

- Sou um palhaço e não posso desapontar a minha plateia que, juntamente com você minha esposa, minha joia maravilhosa, será tudo o que necessito para ter força, aumentar minha autoestima, neste momento importante.

À medida em que a hora do espetáculo chegava, ele se sentia mais autoconfiante. Porém, passado mais ou menos cinquenta minutos para o grande momento, eis que o artista, já inseguro, entra no palco rapidamente e para. Num esforço subumano, olha para o público, ao ver os olhares atentos daquelas crianças e dos adultos se sentiu muito corajoso, pois percebeu tamanha responsabilidade. Naquele momento, não poderia decepcionar a sua plateia. Seria a grande oportunidade de mostrar o seu novo trabalho.

Finalmente, com o apoio de sua amada e do seu público querido, num gesto majestoso, levantou a cabeça dizendo:

- Respeitável público, começa o nosso espetáculo, hoje será uma grande estreia!

Nercy Lopes Chaveiro Cardoso - FF/UFG

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A VIDA PASSA OU NÃO PASSA?

A vida passa. Ou não passa?
Na descida da solidão.
No fundo, acaba a
graça da dor,
brotando sem rancor.

A melancolia nos envolve.
Sempre mais, nos seduz
em um olhar e uma lágrima
cai dos olhos, sem luz.

A vida se esvai. Sem pena, nem dó.
Cada dia, cada hora.
A vida é toda vestida de
cinza e em cinzas sem vida.

A minha vida e a tua, desperdiçadas.
Encontros sem medida.
Passou a dor, só há o vazio.
A vida é o vazio do tempo.

São mitos do calendário.
Sempre o antes, nunca o agora.
E a sua perda é uma parada
na memória.

A nossa dor, o amargor
que teima em nos lembrar:
só quem sofre sente o último
suspiro para renovar.

Leila Abou Salha-FF/UFG

Nem tudo é como a gente quer

Eu tive uma ideia de fazer um diferencial com a minha peça teatral. Na minha estreia, a plateia assistiu e ficou entusiasmada, arremessando uma joia que ajudou-me a conhecer a comunidade europeia.

À oportunidade, em assembleia que parecia uma colmeia, pude expressar sobre a peça que iria apresentar e, logo depois da aceitação, sai de lá com um ar heroico de contentamento; pois, dentro de mim, explodia um planetoide de tamanha alegria.

Mas a alegria durou pouco. Tive uma tireoide e emagreci, assustadoramente, e foi uma panaceia para curá-la.

Enfim, só depois de tanta luta, a alegria retornou e pude brilhar nos palcos europeus.

Angelita Franke-PRPPG/UFG

Dialética da existência

São tantas as primaveras e diversidades que, com o tempo, construímos um antagonismo de vida. Parecendo que a cada momento o nosso viver tornasse uma dialética, onde o velho e o novo se entrelaçassem no complexo de antigos acontecimentos e novos conhecimentos. Descobrimos nas músicas, nos fatos, nos diários íntimos, nas cores. As correlações não são efêmeras e sim, correspondem aos significados, a partir do ponto de vista, acrescenta ou não, valor às estações.

Temos a capacidade de evoluir com situações das mais diferentes, com uma maturidade, a qual, no decorrer da vida, origina o redesenhar de conquistas dadas por Deus e a assimilação do próprio homem.

Crescer é tamanho ou capacidade? Sem dúvida, são os dois, pois basta emergir o volume de aptidão e habilidade onde conseguimos descortinar deste paraíso o mundo.

Somos espelhos e reflexos, temos a sensibilidade de mergulhar e redescobrir dentro de nós potencialidades que, de alguma forma, ameniza e intensifica, mas com um diferente sabor e/ou dissabor engendrado de fortalecimento. O tempo diferencia etapas, demonstrando a disparidade pela qual temos que caminhar.

Acredito nessa diversidade própria do nosso planeta. E por que não? Somos, em nossa essência, corpo e alma, buscando soluções e respostas para compreender a pulsação da nossa existência.

Angelita Franke-PRPPG/UFG.

domingo, 13 de junho de 2010

Que país é este?

Alice saiu apressada. Então, sob a claraboia, começou a pensar a respeito do que havia lhe acontecido. Afinal de contas quem era ela? E o coelho? Era subumano pensar que, depois de um simples passeio extraoficial com o príncipe, ela cairia nas graças da rainha. Sua cabeça rodava, rodava, rodava, e já não sabia se sua vestimenta era cor-de-rosa, se estava no País das Maravilhas e se aquela azaleia era a mesma que havia visto minutos antes do coelho passar, como sempre, em seu voo solitário e olhando, a todo instante, o relógio pendurado no seu bolso, por uma linda corrente de ouro. Tudo isso era tão paranoico para a menina, chegando mesmo a questionar: “Que país é este?”.

Lucyene A. Elias Vaz
Faculdade de Engenheira Civil/UFG